“Bora beber?” Toda desgraça começa com essa frase. A negativa seria tão simples, mas não é. Todos bebem não é mesmo? Bucowsky, Breton e o Buscapé beberam muito a vida inteira. Buscapé é aquele compositor paraense que todo domingo na República dormia no gramado babando, não que eu quizesse colocá-lo nesse rol de escritores-boêmios só precisava de um nome com “B” e foi o primeiro que me ocorreu. Voltando à premissa inicial, não consigo dizer não ao convite. Salvo em poucas ocasiões. Quando convalescia de uma hepatite, ou durante a semana que minha esposa ameaçou me deixar. “Não tenho grana” tentava mentir, mas como dizia sabiamente minha vó, cachaça sempre tem quem paga, mas comida ninguém. E lá ia eu me encharcar com alguma bebida de última, ver o tempo passar e divagar sobre assuntos como a obra Bukowsky, ou Breton ou mesmo o Buscapé. Ou saia correndo, dava um pique mesmo, comia bastante e tomava um ansiolitico. Sou fraco a esse convite. Admito. Se vier de uma Nadja é que a coisa piora, as guerreiras da boemia me seduzem fácil. Dividir o mesmo cigarro com elas me atrai muito, e vê-las contando suas estórias trash é divino. É esquisito mesmo, mas tem homens que jogam golf por exemplo, outros escutam Iron Maiden e usam pulseira de pinos. Gosto de beber, e esse verbo está carregado do irresistível e ilusório signo da felicidade.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
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Um comentário:
Só se for agora!
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